Espiritismo Primeiros Passos Envoltórios Espirituais, Desencarnação e Ciclos Evolutivos
Envoltórios Espirituais, Desencarnação e Ciclos Evolutivos
A Doutrina Espírita ensina que o Espírito é o princípio inteligente do Universo. Não possui forma material definida, mas pode ser compreendido como uma individualidade consciente em permanente processo de evolução. Em O Livro dos Espíritos, os Espíritos esclarecem que Deus, Espírito e matéria constituem os princípios fundamentais do Universo, existindo ainda o fluido universal como elemento intermediário entre o Espírito e a matéria física.
Embora muitas vezes seja chamado de “imaterial”, o Espírito é mais adequadamente definido como incorpóreo, pois continua sendo uma criação real, porém constituída de matéria extremamente sutil, imperceptível aos sentidos humanos.
O Perispírito
Para manifestar-se nos diferentes planos da vida, o Espírito utiliza envoltórios apropriados. No plano espiritual, esse envoltório é chamado de perispírito. O perispírito é um corpo fluídico e sutil que serve de ligação entre o Espírito e o corpo físico. É através dele que o Espírito atua sobre o organismo material e recebe as sensações da vida corporal.
O perispírito também funciona como molde organizador do corpo físico e registra as experiências emocionais, mentais e vibratórias do Espírito. Nele ficam impressas tendências, emoções e marcas das vivências acumuladas ao longo da existência.
Segundo o Espiritismo, muitos desequilíbrios físicos e emocionais possuem origem em desarmonias registradas no próprio perispírito. Por isso, Kardec e diversos autores espíritas apontam que a medicina do futuro compreenderá cada vez mais a relação entre mente, emoções e corpo espiritual.
Bicorporeidade e Transfiguração
O perispírito possui propriedades que permitem fenômenos conhecidos na literatura espírita, como a bicorporeidade e a transfiguração. Kardec explica, em O Livro dos Médiuns, que o Espírito de uma pessoa viva pode manifestar-se momentaneamente em outro local, produzindo aparições e fenômenos de desdobramento espiritual.
O texto cita episódios ligados a Santo Antônio de Pádua e a Eurípedes Barsanulfo como exemplos tradicionais desse fenômeno.
Já a transfiguração ocorre quando modificações fluídicas do perispírito produzem alterações temporárias na aparência do corpo físico. O Evangelho relata a transfiguração de Jesus no monte Tabor, descrita em Mateus 17:1-2.
O Duplo Etérico
Além do perispírito, alguns autores espíritas descrevem o chamado duplo etérico ou corpo vital. Trata-se de um envoltório ligado diretamente às funções biológicas e energéticas do corpo físico.
O duplo etérico participa da vitalização do organismo e está relacionado aos centros de força ou chacras, responsáveis pela distribuição de energias entre o corpo físico e o perispírito. Também estaria ligado aos fenômenos de materialização e exteriorização de ectoplasma.
Após o desencarne, o duplo etérico tende a desintegrar-se gradualmente, enquanto o Espírito prossegue sua existência utilizando o perispírito.
Aura e Estado Espiritual
Outro conceito presente no estudo espírita é o da aura, entendida como projeção vibratória do perispírito. A aura reflete pensamentos, emoções, intenções e o grau evolutivo do Espírito.
Segundo o texto, os Espíritos podem perceber essas vibrações e estabelecer sintonia entre si por afinidade mental e emocional. Emmanuel afirmava que “a morte coloca o indivíduo diante de si mesmo”, indicando que o desencarne apenas revela com maior clareza aquilo que realmente cultivamos interiormente.
Desencarnação e Planejamento Reencarnatório
A reencarnação é apresentada como necessidade evolutiva do Espírito. Por meio das sucessivas existências, o Espírito desenvolve inteligência, sentimentos e consciência moral.
Em O Livro dos Espíritos, questão 330, os Espíritos explicam que o Espírito pressente a reencarnação, embora nem sempre saiba exatamente quando ela ocorrerá.
As reencarnações não acontecem ao acaso. Existem equipes espirituais responsáveis pelo planejamento reencarnatório, considerando as necessidades evolutivas do Espírito e as experiências necessárias para seu aprendizado. Dependendo do grau de maturidade espiritual, alguns Espíritos participam conscientemente dessas escolhas.
O texto também ressalta que tanto o desencarne quanto o reencarne são processos perturbadores para o Espírito. Kardec compara a reencarnação a uma espécie de “agonia” ou travessia desafiadora, em que o Espírito deixa temporariamente a liberdade relativa do plano espiritual para retornar às limitações da vida material.
A ligação entre Espírito e corpo inicia-se na concepção e vai se consolidando gradualmente durante a infância. Segundo André Luiz, a integração mais completa ao corpo físico ocorreria por volta dos sete anos de idade.
Esquecimento do Passado
O esquecimento temporário das existências anteriores é apresentado como mecanismo de misericórdia divina. Recordar plenamente erros, conflitos e sofrimentos passados poderia dificultar o convívio humano e impedir novos recomeços.
Entretanto, as tendências, afinidades e inclinações permanecem como reminiscências inconscientes do passado espiritual. Kardec afirma que nossas tendências instintivas revelam aspectos de experiências anteriores e servem como campo de aprendizado e superação.
Necessidade da prática do Bem
À medida que evolui, o Espírito percebe que a verdadeira felicidade não está na satisfação egoísta, mas na prática espontânea do Bem. O domínio das paixões, a substituição dos vícios por virtudes e o desenvolvimento da empatia tornam-se necessidades naturais do Espírito amadurecido.
O Espiritismo também ensina que a evolução individual deve caminhar junto à transformação da sociedade. Kardec afirma que é necessário reformar as instituições humanas que estimulam o egoísmo, a desigualdade e a exploração.
Por isso, a prática espírita não se resume apenas à caridade material, embora ela seja importante. O verdadeiro compromisso espírita envolve igualmente participação ativa na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e humana, combatendo estruturas que perpetuam sofrimento, exclusão e violência. E muitas vezes essa tarefa começa sobre o nosso teto familiar.